
A dívida pública do país cresceu cerca de 5% em 2025, chegando a aproximadamente 1,095 biliões de meticais.
Isso mostra pressão nas finanças do Estado e preocupação com a sustentabilidade económica.
A dívida pública de Moçambique aumentou quase 5% em termos anuais em 2025, tendo encerrado 2024 em 1,043 biliões de meticais (13,8 mil milhões de euros) e atingido 1,095 biliões de meticais (14,5 mil milhões de euros) no final de 2025, segundo dados obtidos hoje pela agência Lusa.
De acordo com informações do Ministério das Finanças sobre a execução orçamental, este montante, comparado com 1,043 biliões de meticais (13,8 mil milhões de euros) a 31 de dezembro de 2024, estava dividido no final de 2025 em 621,284 mil milhões de meticais (8,25 mil milhões de euros) de dívida externa e 474,013 mil milhões de meticais (6,29 mil milhões de euros) de dívida interna.
O endividamento interno inclui 95,665 mil milhões de meticais (1,27 mil milhões de euros) de financiamento ao Estado pelo Banco de Moçambique, em comparação com 66,565 mil milhões de meticais (884 milhões de euros) registados a 31 de dezembro de 2024, segundo os dados históricos divulgados pelo Ministério das Finanças.
Apenas em serviço da dívida, o Estado moçambicano pagou cerca de 53,345 mil milhões de meticais (708,2 milhões de euros) em 2025, o que representa 89,1% do orçamento anual e uma redução de 19% em comparação com 2024, refere o documento do Ministério das Finanças.
Deste total, 40,6865 mil milhões de meticais (540,2 milhões de euros) corresponderam a juros da dívida interna, enquanto os juros do financiamento externo atingiram 12,5162 mil milhões de meticais (166,2 milhões de euros) no ano passado.
O documento do Ministério das Finanças indica ainda que, entre as despesas de funcionamento do Estado moçambicano em 2025, o serviço da dívida representou 15,2% do total.
Na sua avaliação regular mais recente sobre Moçambique, concluída este mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a sublinhar a “insustentabilidade” da dívida pública do país.
“A dívida externa de Moçambique é avaliada como apresentando um elevado risco de insolvência, enquanto a dívida global é considerada crítica. A dívida é atualmente considerada insustentável, principalmente devido à inviabilidade política de um ajustamento abrangente que poderia potencialmente salvaguardar a sustentabilidade da dívida”, afirma o FMI na avaliação.
O relatório reconhece ainda que “riscos adicionais de agravamento da trajetória da dívida” incluem a contratação de dívida não concessionária em condições desfavoráveis ou possíveis novos atrasos na retoma dos megaprojetos de gás natural liquefeito (GNL).
Para o FMI, é necessária uma “estratégia abrangente e coordenada” para reduzir os desequilíbrios macroeconómicos e ajudar a restabelecer a sustentabilidade da dívida, especialmente através de consolidação fiscal com controlo da massa salarial, bem como medidas para aumentar as receitas do Estado.
“É essencial restabelecer a estabilidade enquanto se cria espaço fiscal para o desenvolvimento e redes de proteção para os mais vulneráveis. A gestão voluntária de passivos baseada no mercado poderá também ser necessária para enfrentar fortes pressões de financiamento no curto prazo”, conclui o FMI no mesmo relatório.