Radio Terra

O preço dos combustíveis em Moçambique não deverá mudar até finais de abril, mesmo com o aumento dos preços internacionais do petróleo. A medida foi anunciada para tentar manter estabilidade económica e evitar impacto imediato no custo de vida.

Maputo, 10 Mar (AIM) – O preço dos combustíveis em Moçambique deverá manter-se inalterado até finais de Abril próximo, apesar da escalada da instabilidade militar no Médio Oriente, que ameaça afectar a oferta global de combustíveis fósseis.

A informação foi avançada hoje em Maputo pelo secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, durante o briefing à imprensa realizado minutos após o término da 7ª sessão ordinária do Conselho de Ministros.

Segundo Tivane, o país dispõe actualmente de pouco mais de 85 mil toneladas de combustíveis armazenadas nos terminais oceânicos, volumes considerados suficientes para abastecer o mercado interno até finais de Abril.

“Os preços a que estão a ser transaccionados estes produtos, a gasolina, por exemplo, cerca de 85 meticais por litro, e o gasóleo cerca de 80 meticais, prevalecerão pelo menos até depois do mês de Abril”, afirmou.

De acordo com o governante, estes combustíveis foram importados antes do início recente da escalada do conflito no Médio Oriente, o que permite manter os preços actualmente praticados no mercado nacional.

A manutenção dos preços abrange igualmente outros derivados, incluindo o querosene utilizado em alguns sectores da economia.

Segundo Tivane, cerca de 80 por cento das importações de combustíveis de Moçambique transitam por rotas associadas ao Estreito de Hormuz, uma das principais vias de transporte de petróleo no mundo.

Nos últimos dias, o agravamento das tensões na região levantou preocupações sobre possíveis restrições à circulação de petroleiros naquela rota estratégica, por onde passa cerca de um quinto da oferta mundial de combustíveis fósseis.

Perante este cenário, o governante assegurou que o Executivo está a acompanhar atentamente a evolução da situação internacional e a preparar mecanismos de mitigação.

Entre as medidas em análise está a eventual utilização de um fundo de estabilização, destinado a amortecer impactos sobre o mercado interno e assegurar o equilíbrio económico das empresas distribuidoras de combustíveis.

“Este instrumento pode permitir compensar eventuais perdas de rentabilidade das empresas distribuidoras, num contexto em que os preços praticados no mercado interno podem situar-se abaixo dos preços internacionais”, explicou.

Tivane reconheceu, contudo, que a evolução, intensidade e duração do conflito no Médio Oriente poderão determinar impactos diferenciados nas economias nacionais, dependendo da capacidade de cada país em adoptar medidas de amortecimento.