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JOANESBURGO, 18 de março (Reuters) – O Banco Mundial está a trabalhar com Moçambique para enfrentar os crescentes desafios da dívida do país, afirmou um alto responsável da instituição, numa altura em que os custos de financiamento estão a aumentar, evidenciando a pressão sobre as finanças públicas num contexto de maior risco geopolítico.

O país enfrenta dificuldades para estabilizar a sua economia, sobrecarregada pela dívida, pelo fraco crescimento e pelo impacto de choques climáticos. As esperanças de recuperação dependem, em parte, do reinício de grandes projectos de gás natural liquefeito.

Fily Sissoko, directora regional do Banco Mundial para Moçambique, afirmou que uma Análise de Sustentabilidade da Dívida, elaborada em conjunto com o Fundo Monetário Internacional e publicada em fevereiro, demonstrou que a dívida não é sustentável.

“O governo está bem consciente disso e está a trabalhar muito de perto para ver como podemos ajudá-los a corrigir alguns destes desequilíbrios, analisando todas as opções”, disse à Reuters.

O banco já está a preparar 6 mil milhões de dólares em financiamento, maioritariamente concessional, ao longo de cinco anos, acrescentou Sissoko. Outros 4 mil milhões de dólares em investimento do sector privado poderão ser mobilizados com o apoio do braço do sector privado do Banco Mundial, a International Finance Corporation, e da plataforma de garantias de empréstimos e investimentos Multilateral Investment Guarantee Agency.

O spread soberano de Moçambique – o prémio exigido pelos investidores para deter dívida em moeda forte do país em relação aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos ultrapassou esta semana o limiar dos 1.000 pontos base, atingindo um máximo de dez meses, segundo dados do JPMorgan.

Esta subida reflecte também um afastamento mais amplo da dívida de mercados emergentes, impulsionado em parte pelo conflito no Médio Oriente.