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Radio Terra

O delegado político provincial da Renamo na Zambézia, Inácio Reis, apelou publicamente ao presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, para que intervenha na resolução do conflito interno que afecta o partido na cidade e província, no geral. Reis classificou como “subversores” os membros que, segundo afirma, estão a promover divisões no seio da formação política.

“Temos mesmo de pedir ajuda ao presidente do Conselho Municipal de Quelimane. Nós, a Renamo, estamos a dirigir o município. Manuel de Araújo é um presidente bastante influente na cidade, e pensamos que a intervenção dele pode inverter a actual situação. Ainda não conversei com o edil sobre o assunto, mas lembro que, num passado recente, estivemos em Maputo diante do presidente do partido, Ossufo Momade, onde este pediu que trabalhássemos juntos para o bom andamento do partido na província. Tenho interagido com o edil, mas formalmente nunca falei sobre este assunto”, disse o delegado político provincial da Renamo na Zambézia.

As declarações foram feitas nesta terça-feira, durante uma conferência de imprensa convocada pelo delegado político provincial. Inácio Reis afirmou que a maioria dos membros envolvidos nas divergências internas são quadros do Conselho Municipal de Quelimane, liderado pela Renamo e presidido por Manuel de Araújo.

Por essa razão, considera que o autarca tem um papel determinante na mediação do conflito e na reunificação do partido. “Sendo Manuel de Araújo nosso edil e com todo o respeito, ele pode ajudar-nos a colocar fim a este processo. Temos certeza que pode”.

O delegado político revelou ainda que decorre um processo judicial movido por Manuel de Araújo contra si, na sequência de declarações feitas após o congresso da Renamo que reelegeu Ossufo Momade como presidente do partido. Na altura, António Reis afirmou que a discórdia registada durante o congresso teve origem em quadros da Renamo em Quelimane ligados ao município.

“Esta forma que abordei talvez não agradou ao presidente Manuel de Araújo. Isso é normal e ele foi abrir um processo contra mim. Na altura, quando falei aquilo, eu nem sequer citei o nome dele, mas ele não gostou. Neste momento o caso está na procuradoria e eu aguardo o julgamento”, precisou.

Apesar das divergências, António Reis assegurou que o ambiente interno da Renamo na província é, no geral, positivo. Segundo disse, dos 22 distritos da Zambézia, apenas Quelimane e Nicoadala registam focos de tensão.

Acrescentou ainda que continua sem acesso ao gabinete de trabalho que lhe está destinado na sede provincial do partido.